Nos dias correntes seria de bom tom rever as concepções gerais que orientam associedades. Já repararam que quando se discute politica, no geral, acaba-se sempre por discutir: desemprego, taxa de inflação, custo de vida, dívida pública, actividade económica, crescimento do produto interno bruto, balança de pagamentos, exportações e importações, despesas do Estado, e outros temas afins, ligados a questões económicas. Volta e meia aparece a justiça e as reformas jurídicas, as questões sociais, a educação.
As questões económicas estão por todo o lado em todas as conversas políticas. Não e preciso apresentar muitos argumentos em abono desta perspectiva. A corrupção no exercício de cargos está ligada a desvios de dinheiro, as discussões na assembleia da república focam sobretudo as questões económicas, as notícias da televisão, o desemprego, o aumento da despesa do Estado, etc. , etc.
Tem-se assistido gradualmente a um esvaziamento da política, as suas prioridades são económicas, pelo menos assim o entendo, as reformas da educação visam a preparação do aluno para o mercado de trabalho, a invocação da lentidam da justiça tem também muito a ver com a questão económica, isto é, uma justiça reduz a atractividade do nosso país perante as empresas estrangeiras. Este confinamento ao económica, embora importante, não é saudável a meu ver.
É importante discutir-se aspectos económicos. Agora o que não é normal é este definhamento da riqueza da vida social, da própria política, a um só aspecto, tendo por base um único ponto de fundo: como se só a riqueza trouxesse o bem estar social, como se tudo se reduzisse a uma comparação custo-benefício, como se a solução para tudo fosse o dinheiro.
Já pararam para pensar um bocado sobre estas questões? Duvidar um pouco? Já repararam que quem trabalha paga impostos, e que esse dinheiro é distribuído por universidade, por exemplo, e depois de distribuídos, o dinheiro é de todos, quem quer usufruir dos serviços tem de pagar propinas e adquirir livros e material de estudo. Isto é normal? Já pararam para pensar que há outras dimensões na nossa vida importante para pensar, como a morte, o destino, o progresso, a ciência, a cultura, e não só o económico? A política devia ser uma discurso sobre todos os aspectos que tocam a vida pública, a vida de todos, e a economia não é o único aspecto. Chego a ir mais longe: quando se fala no social, e tendo por base o económico também, veja-se o caso da importância dos subsídios de desemprego, não falam os partidos em despesa do Estado?
Esta redução de tudo ao mercantil, ao dinheiro, à riqueza das nações, esta redução do homem a um fim económico, o homem oeconomicus, o homem racional, o homum funcional, que limitação, que torpor, que embriaguês! Ainda há uns quantos que chamam ,a quem possui padrões de conduta divergentes com o seu ou o da maioria, de loucos. Loucos somos nós em aceitar esta econocracia, visível em todos os quadrantes sociais, nos discursos oficinais, nas discussões sociais, nas notícias da imprensa. Afinal de contas é possível a economia, actividade doméstica, tendo como pilar uma gerência privada, atolhar o discurso das coisas públicas, torna-se o discurso omnipotente e omnipresente da res-pública?



